Deixando voar o pensamento...


01/01/2011


FILHOS

FILHOS...

FILHOS NÃO SABEM SER NEM TER

SABEM APENAS QUERER.

FILHOS...

FILHOS NEM SEMPRE SABEM CRESCER

SABEM APENAS TENTAR VIVER.

FILHOS...

FILHOS NEM SEMPRE SABEM MERECER

SABEM APENAS POUCO PERCEBER DO QUE TEM A FAZER.

FILHOS...

QUANDO NOS DAMOS CONTA JÁ NOS "QUEBRARAM PERNAS E BRAÇOS"

E CONTINUAMOS A ANDAR COM ELES E POR ELES...

Escrito por Cecilia Maria às 01:51
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18/12/2010


Aos meus caros alunos

DISCURSO DE DESPEDIDA

 

AGRADEÇO A PRESENÇA DE TODOS QUE AQUI ESTÃO, MAS HOJE O DIA, OU MELHOR, A NOITE, É DOS NOSSOS ALUNOS FORMANDOS E, É DELES TODA A NOSSA ATENÇÃO. ASSIM, DIRIJO-ME DE FORMA ESPECIAL A TODOS OS QUE ESTÃO ENCERRANDO UMA ETAPA DE SUAS VIDAS E PREPARANDO-SE PARA OS DESAFIOS DE TODO O RESTO DE SEUS DIAS.

 

VIVER ESTE RITUAL DE PASSAGEM QUE AQUI ESTAMOS ENCENANDO, SIGNIFICA ASSUMIR UM PEQUENO LUTO PELO QUE SE PERDE E SAIR “PRA GALERA”, PREPARANDO-SE PARA VIVER O CARNAVAL DE EMOÇÕES QUE SE APRESENTARÃO DALI POR DIANTE. EM SUAS VIDAS SEMPRE EXISTIRÃO ETAPAS SENDO VENCIDAS, LUTOS E CARNAVAIS.

 

A FALA DE UMA PROFESSORA DE FILOSOFIA DEVERIA PRIVILEGIAR A RACIONALIDADE, MAS, COMO EU GOSTO MESMO É DO IMPREVISTO DAS EMOÇÕES, COLOCO O CORAÇÃO COMO INSANO COCHEIRO DESSAS PALAVRAS, ESPERANDO QUE HAJA UMA CERTA TEMPERANÇA AO PROFERI-LAS.

 

DURANTE O ANO LETIVO NOS DEPARAMOS COM TODA SORTE DE EVENTUALIDADES QUE NECESSITARAM PULSO FIRME E CERTA DOSE DE CRIATIVIDADE PARA SEREM SUPERADAS. ESTAS CONTIGÊNCIAS AS QUAIS ME REFIRO FAZEM PARTE DO COTIDIANO DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO E MUITAS DAS VEZES NEM CHEGAM AO CONHECIMENTO DOS ALUNOS E DE SEUS FAMILIARES. ESTE NÃO FOI UM ANO DIFERENTE DE TODOS OS OUTROS QUE AQUI JÁ VIVEMOS, MAS, CERTAMENTE, PARA FAZER PAR AO DESCOMPASSO DO MUNDO DE NOSSOS DIAS, APRESENTOU DIFICULDADES QUE EXIGIRAM MUITO DE NÓS, PROFESSORES E EQUIPE GESTORA DA ESCOLA.

 

 ENSINAR NÃO É DEITAR PALAVRAS E CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS AO VENTO ESPERANDO QUE ALGUÉM OS COLHA E COM ALGUMA SORTE FAÇA DELES BOM PROVEITO. ENSINAR É PERCEBER NO OUTRO, NO CASO, EM VOCÊS, CAROS ALUNOS, O DESEJO DE CRESCER E DE CONHECER INSTRUMENTOS A SEREM UTILIZADOS NO DIA-A DIA DE SUAS VIDAS.

 

MAS, NÓS, SEUS MESTRES, SABENDO QUE NADA SABEMOS ALÉM DAQUILO QUE NOS É DADO COMO NOSSA POBRE PARCELA DE ACESSO AO SABER - PARTE ÍNFIMA DO QUE HÁ PARA SER SABIDO NESTA VIDA - PODEMOS ENSINAR QUE A VIDA É MUITO CURTA PARA TUDO SABER E MUITA LONGA PARA O LIDAR COM O FATO DE QUE POR MAIS QUE SAIBAMOS TEMOS QUE CONVIVER TODOS OS DIAS COM NOSSA IGNORÂNCIA.  

 

E, SABENDO QUE VOCÊS, FORMANDOS, JÁ ESTÃO SE DEPARANDO COM A NOSTALGIA DOS DIAS QUE AQUI VIVERAM – PARA NÃO PERDER O COSTUME OU PARA EXERCITAR MEU VÍCIO PREFERIDO - FAREI A LEITURA ETIMOLÓGICA DA PALAVRA NOSTALGIA – DO LATIM NOSTOS VOLTA E ALGOS DOR, DOR DA VOLTA OU DOR DO RETORNO, SIGNIFICANDO QUE SEMPRE QUE NOS DEPARAMOS COM ALGO NOVO, DO QUAL NADA SABEMOS, NOS REMETEMOS AO PASSADO CONHECIDO E DELE SENTIMOS SAUDADES. PORTANTO, SAIBAM QUE ESTA NOSTALGIA A QUE ME REFIRO DEVE COMPORTAR UM ESPAÇO DE CRIAÇÃO, DE TRANSFORMAÇÃO, ONDE ESTE “AMANHÃ QUE NINGUÉM SABE” SEJA O VENCER A TRISTEZA, POIS ESTAR TRISTE NÃO É O NORMAL, NORMAL É SER FELIZ – LEMBREM-SE DE QUE O HOMEM NASCEU PARA SER FELIZ E A ISTO ESTÁ DESTINADO.

 

FILOSOFANDO MAIS UM POUCO, DIGO AINDA, QUE MESMO SENDO A VIDA UMA RODA DESINTEGRADORA DE SONHOS E EXPECTATIVAS O TEMPO, AH! O TEMPO - SANTO E REMÉDIO - É ALGO QUE DILUI TODAS AS OUTRAS COISAS, TORNANDO-AS MAIS AMENAS, JÁ QUE ELE (O TEMPO) TRAZ EM SEU BOJO A VIRTUALIDADE DA TRANSFOMAÇÃO, DO ALGO A VIR A ACONTECER, DO DEVIR. ASSIM, IMPORTANTE É SEMPRE GARANTIR UM ESPAÇO PARA A UTOPIA, PARA O SONHO IMPOSSÍVEL JÁ QUE SONHAR É FUNDAMENTAL, SONHAR É O OXIGÊNIO DE QUE PRECISAMOS PARA VIVER DE FRENTE NOSSA VIDA TÃO REPLETA DE EXIGÊNCIAS E DE CONCESSÕES.

 

BEIJOS NOS CORAÇÕES E NOS ESPÍRITOS DE TODOS VOCÊS PORQUE SEI, DAS POUCAS COISAS QUE SEI, QUE EXISTO PORQUE PENSO E QUE VENCER PELO PENSAR E PELO CRIAR É BEM MELHOR QUE VIOLENTAR O OUTRO PELO EXERCÍCIO DA FORÇA E DA BRUTA IGNORÂNCIA, NOSSA VELHA CONHECIDA. VÃO EM FRENTE COM FORÇA E FÉ.

Escrito por Cecilia Maria às 19:23
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26/06/2010


Não-lugar

Conduzida por uma dupla de cavalos alados,

Sabidamente antagônicos,

Enfrento - quase desarmada - o confronto entre Eros, a me harmonizar com a vital força da Natureza,

E a estranheza ou o desconhecimento do saber viver,

Que me impele para o lado não-querido, não-buscado,

Tão intensamente indesejado.

Escrito por Cecilia Maria às 03:10
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17/06/2010


Sempre questões insolúveis

Penso na oferta infindável de perigos que as ruas oferecem,

Motivo considerável para não sair de casa - abrir a porta da sala já é punk...

Aquele mundaréu de gente apressada que não olha para os lados - todos absortos em si mesmos - são potenciais inimigos

Inimigos porque não vão me perceber num momento de sufoco, de pânico.

Quantas pílulas serão necessárias para ver o mundo com as cores que ele realmente tem?

Sei lá,

Acho que cada vez me considero mais jurássica e incompatível com a modernidade.

Será que estou sozinha nesta nau desgovernada?

Será que minha nau se encaminha para Cila e Caribdes?

Terei competência para aplicar a justa medida e passar incólume por monstros e redemoinhos?

Questões insolúveis... 

Escrito por Cecilia Maria às 09:43
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16/05/2009


Não sei lidar com estas novidades

Acabou meu sorvete,

Acabou minha limonada cheia de gelo,

não acho nada no lugar previsto,

perdi o controle de mim mesma (o já tão escasso controle)

Não sinto chão pra pisar (nem que seja de vez em quando), perdi espaço, identidade.

minha maluquice não cabe mais em lugar algum,

ficou perdida, deslocada...

piso em ovos,

piso em cacos de vidro pontiagudos e,

antes que eles me machuquem

corto-me em fatias que não sirvo a ninguém... são pra consumo proprio... aliviam dores,

Será que sigo adiante?

Vejo tão poucas chances da vida dar certo (dentro dos padrões sistematizados e caretas)!!!

não caibo nas tais caixinhas de Kant ou de Hegel,

Sana desrazão que me faz rir e chorar...

Tédio...

 

 

 

 

 

 

 

 

...

 

 

Escrito por Cecilia Maria às 05:30
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20/07/2008


AS CALÇADAS DE SÃO PAULO 1

ESTRANHAS RUAS, ESTRANHAS PASSAGENS...

PELA MANHÃ GENTE DO SOL, PELA NOITE GENTE DA LUA.

SOB O SOL, TRABALHADORES QUE DORMEM SONOS NOTURNOS E SONHAM COM UM DIA MELHOR(???).

SOB A LUA, TRABALHORES QUE DORMEM SONOS DIURNOS E SONHAM COM UMA NOITE DE LUZ. 

INUSITADAS CALÇADAS SÃO AS DE SÃO PAULO,

QUE CABEM GENTE DE TODAS AS TRIBOS E MESMO AS SEM TRIBO...

CABEM OS MÚSICOS E OS SEM MÚSICA...CABEM DANÇARINOS E DESAJEITADOS...CABEM CANTORES E DESAFINADOS...

CABE TANTA DIVERSIDADE NESTAS CALÇADAS QUE CAMINHO POR ELAS A SENTIR CADA VIBRAÇÃO, CADA ESPERANÇA, CADA DESILUSÃO.

AS CALÇADAS DE SÃO PAULO NÃO ME SABEM MAS EU AS SEI OU, ELAS ME SABEM E EU NÃO AS SEI?

Escrito por Cecilia Maria às 04:09
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12/07/2008


Partindo

Nunca mais quero saber de cores que, com rimas pobres,

Só remetem a amores, dores, flores...

Nunca mais quero saber de sabores, que com lembranças pueris,

Só remetem a amores, dores, flores.

Só quero saber de deixares, de partires, de esqueceres,

Que tal como importantes decidires levam a poderes ainda que sejam de morreres.

Que bobagens são as flores de vida efêmera e graça duvidável...

Que importância tem as dores de diferentes suportares...

Que bobagem são os amores que de verdade só tem os deixares de querer...

Bem melhor são os partires que deixam para trás essências alheias que esquecidas devem ser.

Escrito por Cecilia Maria às 20:08
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17/06/2008


Vida

Ouvi alguém dizer que a vida sem "aditivos químicos" é muita chata de viver...

Será, então, mais fácil sucumbir às ofertas das esquinas ou dos pseudo-amigos que oferecem "alegrias" de curto prazo e de pouco preço?

A vida é mesmo muito cara de ser vivida...Envolve escolhas e a dor da responsabilidade de assumi-las!

A morte é bem mais barata...

É só se render a um "barato" esquisito cujo preço varia de uns poucos reais ao esquecimento de valores que hoje estão fora de moda e "voilá"...

Eis aí a morte que não se buscou mas que se encontrou na substituição da "chatice" de uma vida careta!

Que merda de pensar é este minhas caras crianças cansadas da vida?

 

Escrito por Cecilia Maria às 19:22
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30/01/2007


SAUDADES...

MEUS OLHOS, PISCINA COR DO MEL, TRANSBORDAM...
MEU CORAÇÃO, BICHINHO PULSANTE E INSANO, EMITE ONDAS DE DOR...
SAUDADES....
MAL, MUITO MAL.

Escrito por Cecilia Maria às 21:41
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27/01/2007


Quanto vale ou tá de graça?

Vale quanto um amor?

Vale o preço de abrir mão de seu mundinho de merda e olhar prá mim?

Vale quanto um amor?

Vale perceber que só receber é ter menos do que se poderia?

Vale quanto um amor?

Vale fingir um carinho de merda achando que já tá mais que bom?

Vale quanto um amor mal amado?

Vale a morte!!

Vale a morte!!

Pois só nela se encontra o justo preço ou justo castigo pela má escolha!!

Escrito por Cecilia Maria às 02:15
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11/12/2005


Ver e Não-Ver

“A visão é o encontro, como numa encruzilhada, de todos os aspectos do ser.”

(O Olho e o espírito, IV, pág. 109)

 

A alma, encarcerada, carece de uma “janela” para o mundo – o olho tem esta função. Contemplar, com a alma em êxtase, só é possível pela mediação do olho, já que só ele tem a excelência no domínio de “ver” ou captar a imensidade do universo – e de todas as coisas nele postas – e, filtrá-las para dentro do ser. O olho tem como que uma capacidade especial de dar à alma o alimento que a ela é imprescindível para viver.

O olho traduz para a alma o movimento das coisas e, é desta forma, que ela – a alma – pode elaborar e fixar as sensações destas coisas aparentes e originar a dialética do “dentro e fora” onde pensado/visto dialoga com impensado/não-visto. A duplicidade do sentir – cogito da modernidade – tem no olho o “instrumento captor” das imagens postas no mundo e, na alma o “instrumento intelector” que interpreta as representações transformando-as em subjetividades.

O homem livre em seus sonhos, livre em sua alma encarcerada, tem no olho uma espécie de elo permissor de conexão com a realidade das coisas.

Quando nos inquietamos buscando desvendar mistérios das profundezas do ser, ao contrário daqueles que se contentam com as obviedades cotidianas, mergulhamos densamente no mar estranho das diferenças e, ao emergirmos “quase sem ar” trazemos a tona o conteúdo impensado, oculto no inconsciente, e o anexamos ao que pode ser captado pela visão que assim se transforma.

É certo que o belo visível se junta ao belo invisível quando o olho capta uma imagem e a transmite para a alma – o decifrador do exterior (o olho) em conexão com o decifrador do interior (a alma) constituem a própria visão. O sentido do que é, aliado ao sentido do que é visto e do que se faz ver é a própria visão – é a estética dando sentido à filosofia; é a estética do cogito e do não-cogito da modernidade onde o ser e o não-ser formam e dão sentido ao todo do próprio existir, onde o olho “vê” o visto e o e o não-visto, o expresso e o não-expresso.

 

Escrito por Cecilia Maria às 23:10
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30/08/2005


GESTAR

Conceber, gestar, parir - tarefa que nunca termina.

Conceber é dar motivo, é inventar, é teorizar um ser.

Parir é deixar vir à luz, é tornar ativo um ser.

Mas, gestar, ato contínuo a conceber e precedente a parir, parece que subverte a ordem natural dos acontecimentos e se eterniza.

O ser que teorizado na concepção é ativado para o existir no parto, mesmo já pedaço independente do todo, ainda assim emite sinais de "fome, frio ou medo" e, a eterna gestante - em prontidão - arranca de si alimento que transcende o entender e nutre sem rodeios a cria que quer pronta sem nunca acabar.

Escrito por Cecilia Maria às 15:05
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22/08/2005


E AGORA?

 

Em idos tempos, Geraldo Vandré nos incitava a pensar, caminhar, cantar e agir. Com flores ou armas na mão, tomando nossa história como motivo e refrão, reagimos ao despotismo, ao descaso, à desigualdade, e sonhamos ser um povo livre, dono de seu destino.

 

Foi caro o preço pago para sonhar com a plena democracia. Irmãos sangraram em terreno pátrio; irmãos amargaram dores em terreno estrangeiro; irmãos desapareceram; irmãos tiveram mente e carne torturadas; irmãos se perderam de si em matadouros de sonhos.

 

Um dia, enfim, pensamos chegar ao oásis que nos prometemos como prêmio aos vencedores do desafio imposto pela ditadura de sangue e lágrimas; um dia, enfim, pensamos ver nossa pátria-mãe liberta dos grilhões que a impediam de caminhar rumo à igualdade de direitos ansiada desde sempre para todos os seus filhos.

 

Mas filhos, ah!...os filhos...

 

Filhos nem sempre tem o mesmo destino, o mesmo pensar, o mesmo escolher.

 

Filhos de uma pátria-mãe de dimensões continentais perdem-se em mares nunca dantes navegados e a mercê de um naufrágio atracam-se a quaisquer destroços tendo-os como autênticas tábuas de salvação.

 

Quase tão caro quanto verter o sangue de filhos-irmãos em nome de uma luta, que se fez legítima por sua essência de verdade, é depois da vitória certa usar das mesmas armas do inimigo e estabelecer um novo estado de natureza onde homens são lobos dos próprios homens.

 

Para aqueles que escolheram um existir pautado no comportamento ético de respeito às diferenças entre homens e nações; para aqueles que acreditaram num sonho político de equidade e ao longo de décadas se empenharam em fazê-lo realidade; para aqueles que mais que formar opiniões alheias forjaram a opinião, caráter e ideais dos filhos de sua própria carne a partir de suas crenças-certezas ideológicas; para aqueles que vibraram em uníssono quando “a esperança venceu o medo”, fica um gosto amargo de fim de festa, um gosto ruim de ressaca.

 

E agora José?”, já perguntou o poeta.

 

Agora é preciso “fazer a fila andar” sem atropelos; agora é preciso unir retalhos e tecer uma bela colcha onde cada ponto de junção – similar a uma cicatriz – remeta à cisão ou incisão que se fez necessária na extirpação de tecido morto ou corrompido. Agora é tempo de reflexão sem, no entanto, “entregar os pontos” ao adversário. Agora é tempo de refazer o caminho já trilhado e retomar planos, amigos, armas e bagagens deixados ao acaso...

Escrito por Cecilia Maria às 15:26
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12/08/2005


LULA X AUTISMO

 

Ouço, ultimamente, políticos brasileiros apropriarem-se do termo autismo – como se uma nova palavra fosse – para designar um Presidente legitimamente eleito pela parcela da população que corajosa ergueu-se contra seus pseudo-representantes.

 

O uso que vem sendo feito da palavra autismo indica alto teor de preconceito, discriminação e ignorância mesmo!

 

Parlamentares que fazem sua a bandeira da anti-segregação, ao apoderarem-se de uma terminologia medicocientífica de diagnóstico - conhecendo apenas perifericamente o real significado do termo que indistintamente empregam -, além de agredirem a inteligência do povo brasileiro com seus discursos arrogantes, elitistas e oportunistas, insultam os portadores de autismo já que a palavra está sendo utilizada de forma pejorativa e com toda a carga de negatividade que pretendem destacar em sua etimologia.

 

Autismo, em linhas gerais, é a perda ou falta de interação com o mundo circundante, ou ainda, um certo privilégio ou polarização do pensamento, das representações das coisas e dos sentimentos de uma pessoa em detrimento de suas relações com o mundo que a rodeia. 

 

Autós em grego significa “de si mesmo” – e, assim, autismo pode, grosseiramente, ser entendido como “estar encerrado em si mesmo” ou “estar às voltas consigo mesmo”. E, é este o uso que os parlamentares deste combalido país vem dando a autismo, querendo dizer, portanto, que egocentrismo tenha a mesma significação que autismo.

 

Nosso presidente – LULA – não está autista – como se esta fosse uma condição humana a ser escolhida e adotada para alhear-se do mundo circundante. Autismo não é uma opção de comportamento – ninguém pode ser chamado de autista quando o que se quer dizer de fato é descomprometido, alheio, arredado, afastado, ignorante, desatento, alienado, voltado para os próprios pensamento, ou qualquer outra terminologia que signifique um não envolvimento adequado com a realidade. Nosso presidente – LULA – está sendo é discriminado e desrespeitado como todos os autistas -  incompreendidos por uma sociedade que comprometida com o senso comum da “normalidade” aparta de seu convívio todos os “diferentes” do modelo escolhido como “bom, belo e saudável”.

 

Quando um homem, apesar de todas as desfavoráveis condições de vida que cercaram seu nascimento e, que aparentemente o tornariam marginal enquanto membro periférico de uma sociedade elitista, arrogante e ditatorial, se insurge da condição humilhante de gado, sai da heteronomia e liberto do cabresto imposto pelos ricos, poderosos, letrados e “príncipes” de uma corte podre e corrompida por valores equivocados e gastos, alça vôo rumo à história, é evidente que se torna persona non grata. Rapidamente os guardiões das castas privilegiadas orquestram uma ridícula opereta e querem impingir ao ousado e diferente cidadão, que se destacou na multidão, o papel de bufão, o papel do fanfarrão a quem falta seriedade no trato das relações humanas por comportar-se ridícula, inoportuna ou indelicadamente.  

 

Autista, talvez, seja a mais preconceituosa denominação que querem conferir a este homem que se destacou da massa humana humilhada, menosprezada, que se aperta em conduções superlotadas, que vive em habitações insalubres, que se alimenta miseravelmente, que se amontoa nos hospitais públicos, mas que é a maior riqueza de uma nação que se quer democrática e ao ter um representante legítimo do povo guindado à condição de dirigente supremo, se une temerosa em torno de seus preconceitos e rapidamente quer impeacheamar ou impedir seu governo.

 

Se somos parte de um povo cujos representantes políticos são donos do mais preconceituoso discurso que se pode conceber, devemos refletir seriamente sobre nossas aspirações. Como podemos eleger como representantes pessoas que situam portadores de uma determinada peculiaridade à margem da sociedade? Como podemos eleger pessoas que consideram o autista um ser humano de segunda classe? Como podemos eleger pessoas que se fecham em seus gabinetes de luxo esquecidas – convenientemente – daqueles a quem mendigaram votos à época do pleito?

Escrito por Cecilia Maria às 18:40
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07/08/2005


O SÁBIO E O TOLO

Que diferença há entre o homem sábio e o homem tolo no que concerne à busca da vida feliz?

Ambos - o sábio e o tolo - almejam alcançar a felicidade e o bem-estar pessoal. Ambos, nesta busca, procuram palmilhar a boa estrada da vida. Como se relacionar, então, com os bens materiais - as riquezas? Esta é a questão que dependendo da solução escolhida diferencia o sábio do tolo: da administração e utilização das riquezas materiais advêm diversas situações que encadeadas determinam um ou outro estilo de vida.

O sábio faz das riquezas escravas e delas se serve sem incorrer em dependência, ao contrário do tolo que permite que as riquezas se assenhorem dele e conduzam sua vida. Outros, mais tolos ainda, ambicionam riquezas sem possuí-las e a mercê deste intenso desejo de possuir nem sequer vislumbram a essência do bem - tão dominados estão seus sentimentos, ações e pensamentos. A cobiça impede que o tolo se acerque do bem e da virtude falseando, assim, sua escala de valores morais.

O senso comum determina que o sábio deve ser homem despojado de quaisquer bens materiais posto que a posse destes se afiguraria ostentação - comportamento não condizente com o estereótipo da postura imaginada para um sábio. Ledo engano! Nada mais tolo! Por que razão deveria o sábio depender da benemerência alheia? Sábio é aquele que administra suas riquezas - de origem honesta e sem manchas de sangue alheio - sem ansiedade e sem subterfúgios. O sábio é parcimonioso na lida com seus bens materiais pois estes não determinam seu estilo de vida contrariamente do tolo que é aquilo que possui.

Ao imaginar-se que o sábio deva ser o homem afeito às agruras de uma vida medíocre em termos financeiros, de saúde ou de vigor e beleza físicos, pretende-se erroneamente entender que este ao lidar cotidianamente com situações adversas estaria se preparando de forma adequada para atingir um estado conceitual de virtude. Na verdade, aquele que tem o bom e o belo e que deles se utiliza com temperança e discernimento, sem tornar-se presa indefesa, demonstra a sapiência de possuir riquezas e considera-las "como um vento favorável que impele o navegante, como um belo dia e um lugar ensolarado na bruma fria do inverno". Ao passo que o tolo mal sabendo lidar com suas posses, contaminado que é pela cobiça de garantir status dentro da comunidade através do referendo de seus bens materiais, atormenta-se na incessante busca de amealhar mais e mais riquezas.

Além das riquezas materiais não poderíamos nos esquecer das considerações acerca das riquezas intelectuais ou espirituais, posto que são diferenças ainda mais marcantes entre o sábio e o tolo. A virtude não se encontra de todo apartada do prazer, restando apenas demarcar que o prazer não é um bem que se busque. O verdadeiro prazer decorre da temperança, do saber conduzir-se diante da tentações do dia-a-dia: a virtude deve governar o prazer. 

Assim, podemos entender que "a vida feliz é a que concorda com a sua natureza", donde corpo e mente sãos representam o conjunto de condições almejadas pelo sábio para conduzir sua vida.

O homem enredado pelos vícios ensejados pela cobiça está longe da virtude e da verdade, sendo, portanto, um tolo. A ele - o tolo - os prazeres consomem a capacidade de discernimento ditando um comportamento desajuizado e repleto de erros, sejam conceituais ou de atitudes.

Não queremos fazer aqui a apologia da virtude como entendida pelo senso comum. Queremos, sim, é concordar com as palavras de Sêneca, expressas há tantos séculos, e, que tranpostas para os dias de hoje poderiam pontuar um manual de ética para as questões de política e de cidadania. Percebemos que os padrões que determinam os comportamentos sociais sempre foram os mesmos desde o começo dos tempos. O homem, visto como ser social, sempre buscou o reconhecimento de seus sememlhantes impetrando nesta busca toda sorte de recursos, sejam éticos ou não.

Acercar-se da fórmula mais fácil de ascensão social e econômica, juntando-se aos que exercem poder indiscriminado sobre a comunidade não é nenhuma inovação. desde os primórdios da humanidade, os mais fracos são dominados pelos mais fortes - é a lei da preservação da raça: sobrevivem os mais bem dotados, seja física, intelectual ou economicamente. O aspecto moral fica fora desta escala de valores ditada pela busca desenfreada de poder.

E, é quando o prazer sobrepõe-se à racionalidade que o homem pede sua condição de sapiens, deixando-se comandar por instintos animalescos. Reside na condição primeira e imprescindível de considerar uma "vida feliz" como aquela que é ditada pelo juízo verdadeiro das coisas, ou seja, como aquela que é inspirada pela retidão dos atos e do caráter, a fundamental diferença entre o homem sábio e o homem tolo. Lamentável é o fato de que a natureza humana seja mais propensa aos atos tolos desprovidos de razão, posto que expressos pela necessidade do prazer imediato, do que aos atos sábios, normalmente mais morosos na visibilidade dos resultados.

Escrito por Cecilia Maria às 19:49
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