Excelência é qualidade de algo ou alguém muito superior a seus pares; exceler é o mesmo que primar, que por sua vez significa destacar-se, ter a preferência; preferência é igual a priorizar, gostar mais disto do que daquilo. Prioridade, portanto, é a condição de quem ou do que está em primeiro lugar.
Feito este exercício de sinonímia para que fixemos com exatidão o sentido de um termo utilizado a exaustão nestes conturbados tempos de nosso País, onde a cena política se altera entre o drama e a comédia, propomos uma digressão.
O homem primo entre seus pares é o homem excelente. Excelência é sobrepujança no existir acima dos outros, é majestade no administrar, é supereminência. Primo é o número que só se divide por si mesmo reduzindo-se à unidade que é entendida como homogeneidade, coesão, união. E, é uniformidade, coerência, equilíbrio, harmonia, que se pretende no comportamento de um político no desempenho de seu papel dentro da sociedade.
Eleger um par como representante de uma comunidade é conferir-lhe a condição de primo; eleger um par como voz única de uma coletividade é confiar – através do voto – a palavra, o verbo, o destino de um povo a alguém que seduz pelo conjunto de suas habilidades. Outorgar voz ativa a alguém é imprimir-lhe significância especial, é destacar um simples do todo e vesti-lo de excelência.
Voltamos a excelência – Vossa Excelência!
Um homem antes igual agora é excelência! Guindado à posição de máximo representante de um povo, o político é investido de imunidades, benesses, mordomias.
E, quando a condição destacada de um homem ao invés de evidenciar o que há de melhor nele é corrompida pela fome e pela sede de poder – supremo néctar para os miseráveis de caráter – e, exibe, sim, “o melhor do pior”, ou seja, põe à flor da pele a arte de dissimular, de sofismar, de retorizar o discurso – transforma o homem-primo em homem-ímpar já que sem igual na ignomínia e indecoro.
Vossa Excelência – tratamento destinado aos destacados hierárquica, social e intelectualmente – sofre hoje uma degeneração em seu sentido original. Vossa Excelência, hoje, cheira a tratamento sarcástico, fede como carne podre. Vossa Excelência, hoje, é sinônimo de Vossa Safadeza Oficial, ou então, Vossa Indecência-Mor.
Vossas Excelências, os políticos investidos de falsa envergadura moral e ética, são mestres da ciência de desorganizar uma nação; são especialistas na arte de mal gerir a res pública (coisa pública); são profundos conhecedores da maliciosa técnica da politicagem, da troca de favores; são astuciosos manipuladores da opinião pública.
Vossas Excelências, os políticos adeptos da politicalha movida a interesses espúrios, sofrem de má formação genética irreversível que se evidencia às luzes dos refletores da mídia pelos quais são seduzidos tal qual insetos.
Vossas Safadezas Oficiais, os políticos costureiros de acordos ilegítimos que só visam interesses pessoais e partidários em detrimento de toda uma nação, merecem o sucesso nas profundezas do inferno do repúdio público.
Vossas Indecências-Mores, os políticos versados no retoricismo, nas “caras e bocas” da canastrice e na vilania, são um conjunto de pessoas desprezíveis – são a corrupção personificada.
Vossas Excelências, os políticos indignos da confiança de seus eleitores, representam a torpeza e a total subversão do significado de democracia, república, cidadania, ética e moral.
Vossas Excelências, os políticos malsãos, tumores de um organismo que precisa recuperar o vigor, são a canalha a ser menosprezada e condenada à não reabilitação, à não reintegração à sociedade que atraiçoaram e vilipendiaram.